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Há algum tempo atrás vi Home, um filme/projeto constituido de imagens aéreas do planeta Terra e que aborda a mais “nova” constante preocupação humana que é a “preservação do meio ambiente”. Acompanhando a saga de Al Gore, o filme, produzido e dirigido por franceses e financiado pela gigante PPR, teve um super lançamento no dia internacional do meio ambiente (5 de junho), com veiculação (viral) via You Tube entre outras tantas ações midiáticas. Sim, acho que eles tinham o objetivo de alcançar o maior numero de pessoas, com o intuito de dizer “ei você, sabia que estamos destruindo o planeta de forma quase industrial?”. Ok, válido, assim como muitas outras ações de debate e conscientização são válidas, mas esse papo de “você já sabe o que tem que fazer para mudar essa situação”, honestamente, me deixa um pouco furiosa.
O problema é do sistema, no qual, é claro, estamos incluidos, mas acho que o buraco é um pouco mais além de reciclarmos, usarmos sacolas de pano e consumirmos consciente. Papo que álias, também me irrita profundamente. Normalmente, o consuma consciente requer tempo e dinheiro. Tipo, produtos orgânicos, locais, fair trade custam mais caro, e ter uma horta em casa também não me soa algo muito prático… Ter uma casa com energia renovável custa (e muito) e consumir menos plástico e viver em harmonia com a natureza requer alguns pequenos sacrifícios que não são fáceis de serem administrados, seja em uma grande ou pequena cidade. O eco é trend, bacana e consciente, mas mais me parece uma mera ilusão absorvida pelo mercado pra fazer tudo custar mais caro. Será mesmo que o tiozinho da foto do café Fair Trade recebe algum centavo a mais que o outro que não tem Fair Trade? Será que o Tetra Pak do meu leite é de fato reciclável? Será que toda essa madeira da IKEA é de fato de “reflorestamento”, ou são daqueles pinos que estão destruindo a mata nativa do RS (só pra citar UM exemplo)?
A dúvida que fica é, estou mesmo fazendo a minha parte (e pagando caro por ela) ou estou sendo engambelada pelo mercado que finge que me dá a “possibilidade de fazer a minha parte”? Tudo se resolve com consumo mais consciente. E se fosse menos consumo, menos produção, menos necessidade de matéria prima? Além disso, tem muitas outras coisas que fogem da “nossa parte” (e eu diria a maior parte delas) e cabem ao Sr. Mercado e a Governos, e sinceramente não vejo grandes companhias, seja do que for, e governos, de onde for, de fato tomando decisões e ações efetivas sobre o assunto (vide G8, G20, G qualquer coisa).
E então? Fica meio que aquele papo do universo das drogas. Aquela coisa de culpar o usuário pela desgraça do tráfico, sendo que muito desses usuários, acredito, prefeririam comprar em outro lugar, pagando imposto para o governo e não tendo que negociar com traficante. Todo mundo sabe que isso é a penas a ponta do iceberg. Então não me venha com esse papo de eu ser responsável pela desgraça climática. Faço minha parte, mas não tenho o super poder nas mãos.
