Desde pequena tenho um fascínio por miniaturas. Sempre achei incrível pessoas com a capacidade de recriar um mundo meticulosamente pequeno, principalmente quando ele é cheio de detalhes como esse feito pela fotógrafa Lori Nix. Para a exposição “The City”, onde ela retrata espaços abandonados e deteriorados pela natureza e tempo em uma representação do fim dos tempos, Lori desenvolveu cada locação que foi fotografada. Com a ajuda de um assistente ela construiu todas as maquetes na sala de sua casa e cada uma levou entre 2 a 15 meses para ser feita. O resultado é incrível e vale a pena dar uma conferida.

Esses dias no trabalho falávamos sobre a dificuldade de organizar nossas vidas digitais. Muitas bookmarks, muitos emails, muitas fotos, muita informação. Como que a gente faz? Quem consegue voltar e checar aquilo que foi salvo, aquilo em que se passou o olho e se deixou para ver melhor depois? Organizar todos os emails, listas de contatos, atualizar página de Facebook, manter o ritmo com o Twitter e as outras tantas redes sociais? Não seria bom ter alguém para fazer isso pela gente, uma espécie de  digital coach, alguém que organize, se encarregue de todos os seus arquivos digitais?

 

Pensando nisso me deparei com esse vídeo do fotógrafo Mike Matas que nada mais é do que um simples álbum de fotos da viagem que ele fez para o Japão com a sua namorada. Achei uma ótima forma de não apenas reviver, mas de dividir aqueles momentos fotografados que muitas vezes se perdem nos arquivos digitais de nossas vidas. Praticamente como abrir aquele antigo álbum de fotografias e contar para os amigos como foi a viagem. Se ele fosse digital coach, eu contratava.


Foi mais ou menos com essa sensação que eu sai da feira de arte gráfica denominada Pick Me Up. Organizada por artistas, coletivos e produtores, essa foi a primeira feira de arte gráfica de Londres (ao menos é o que eles dizem) que além de expor e vender o trabalho dos artistas (todos a preços relativamente acessíveis, partindo do ponto de vista de que as peças são ‘obras’, mas impressas em série) também serviu de local para workshops.

Alguns dos trabalhos expostos

Entre os principais artistas estava o inglês Mr. Rob Ryan, que inclusive ao longo do evento transferiu seu estúdio do East London para feira. Era possível ver Rob e a sua equipe trabalhando nas delicadas peças que são originadas a partir de recortes de papel.

meninas trabalhando e o resultado. Rob Ryan

Além disso, outros coletivos muitos bacanas como PeepShow e Nowbrow (especializado em impressão de livros de ilustrações) estavam presente oferecendo workshops. O espaço também contou com outras atividades, todas buscando integrar o trabalho dos artistas com o público.

Peepshow

Mais alguns artistas

Eu, é claro, pirei, se pudesse adquiria tudo. Achei as peças ótimas e mesmo não dando pra levar tudo, ao menos foi bacana pra conhecer os artistas por trás dos trabalhos (alguns deles eu já tinha visto em algumas pequenas galerias) e poder depois garimpar as obras. A feira foi paga (o valor do ingresso era justo) e o passeio foi ótimo. Iniciativa que eu acredito pode ser mais que seguida.

Nota: Aconteceu um despreparo e as fotos não ficaram uma beleza, mas pelo menos  dá pra ter uma ideia do que tinha por lá.

Essas são fotos de um livro chamado I Lego NY em que Christoph Niemann genialmente homenageia a cidade através de reproduções de pontos turísticos e ícones de NY usando peças de Lego. A simples ideia surgiu depois de Niemann brincar de Lego com seu filho. Eu ainda não tive a oportunidade de conhecer a Grande Maçã, então talvez perca um pouco das piadas, mas definitivamente o cabelo do Donald Trump deve ser a melhor de todas. Quer ver mais algumas fotos clique aqui.

Odiei na primeira mordida. Cobri minha fatia de pão generosamente com aquilo que jurei  fosse uma espécie de Nutella mais escura, e depois da primeira (e única) mordida minha boca instantaneamente se encheu de um sabor extremamente salgado, amargo e nada agradável. Passei o resto do dia sem comer mais nada e desde então só ao ver a embalagem do Marmite já  sinto náuseas.

Marmite na sua forma original

Marmite, assim como o chá com leite, é uma espécie de instituição da cultura (e culinária) britânica. Consiste em extrato de levedura de cerveja (que dá aquele sabor “amargo-de-cerveja-choca”) e níveis cavalares de sal, a cor é marrom escura e a consistência é meio que de geléia. Se passa no pão, crackers, bagel, ou qualquer coisa do gênero e aparentemente todo o britânico, pelo menos uma vez na vida, já comeu Marmite. Mas ao contrário da Nutella, que é unanimidade na Itália (e fora dela), Marmite divide torcidas. Tem quem adora e  tem quem odeia, exatamente nesses termos. Ninguém mais ou menos gosta (ou não) de Marmite (da mesma forma que não existe mulher ‘meio grávida’), e isso nada tem a ver com crescer ou não comendo Marmite (no caso de alguém pensar que isso pode ser coisa de estrangeiro que não aprecia o sabor peculiar de produtos locais).

Publicidade dos biscoitos Marmite. Love it or Hate it

A divisão de opinião é tanta que há mais de 20 anos não só o slogan mas todas as campanhas do Marmite (marca comprada pela Unilever e publicitariamente escoltada pela DDB UK) são embasados no conceito “Marmite Love it or Hate it”, representando, sem nenhum pudor, o sentimento das pessoas com relação ao bendito. Estudo de caso no meio publicitário, parece que o fato de incluir a  imagem negativa do produto na estratégia de marketing só veio a ajudar no crescimento do conhecimento da marca e até a gerar uma espécie de identificação de quem não suporta Marmite (sim, eu).

Loja da Marmite

Hoje, Marmite já virou império e além do ‘food spread’ tem salgadinho, barra de cereal e uma vasta gama de acessórios com a marca do produto estampada. Inclusive, ano passado, a Unilever investiu na temporária Marmite Pop Up Shop, no centro de Londres, para vender todas as quinquilharias possíveis relacionadas à marca e propiciar, para aqueles que amam Marmite, uma única ‘Marmite experience’ em uma cafeteria com decoração dos anos 50.

E agora em tempo de eleições (aqui, dia 6 de maio o povo vai para as urnas), dá pra votar no Love Party ou Hate Party, todos com programas governamentais relacionados ao sentimento que Marmite causa nos possíveis eleitores. Os vídeos são ótimos, e vale a pena dar uma olhada, ao menos em um deles.

Com genial estratégia de marketing ou não, Marmite é de se respeitar, mesmo odiando.

*Expressão britânica utilizada cotidianamente e que faz jus ao sentimento Marmite.

Foto de Jason Powell

Faz um tempinho que vi esse projeto Looking into the past em algum lugar e achei ótimo. A prospota é simples e bacana e foi concebida pelo fotógrafo americano Jason Powell. Tira-se uma foto de um local mesclando com imagens antigas do mesmo. Vale foto pessoal, cartão postal, foto de arquivo. É um grupo no Flickr e quem quiser pode unir-se a ele, basta fazer uma dessas e mandar (ou postar, não sei bem como funciona o sistema por lá). Eles também fazem pequenos fóruns com dicas de onde achar imagens antigas e como expandir o próprio projeto. Até onde eu fui, não vi nenhum pedacinho de Brasil, pra quem se animar dá pra ser pioneiro.

Foto de Uwgb Admissions

Foto de Fuxe 73

Foto de Jason Powell

Meu primeiro contato com o universo digital corresponde à um relógio sem ponteiros e nem complexas representações de números (como aquele 1 que também poderia valer 5 – minutos). Ele apenas indicava as horas sem rodeios com simples e claros dígitos. Fácil, prático e compreensível a qualquer cidadão, inclusive àqueles com 4 anos de idade, esse relógio de pulso, estampado com a cara da Hello Kitty, foi o que me fez cair de amores pelo digital, mesmo que na época eu nem suspeitasse o que era analógico.

E honestamente, nem me dei ao trabalho de me preocupar com esse tal de analógico. Porque ouvir um CD era muito melhor que ficar trocando o disco de lado, um Tamagochi muito mais prático que um cachorro, mandar um email muito mais imediato que ficar esperando o correio sair de greve e bem, as fotos instantâneas nem precisa especificar. A aparente única esperança para o analógico era mesmo sobreviver de romantismo e amor daqueles que resistem, ou da incapacidade daqueles que não sabiam gerenciar o digital.

Lomography Fisheye hit analógico

Mas eis que revolução feita e em pleno delírio virtual mundial me vejo, um dia desses, procurando por filmes fotográficos pela cidade. A razão? Adquiri uma Lomography, câmera 100% analógica, contrariando, de certa forma, todo o universo digital ao meu redor. Tamanha foi minha surpresa ao descobrir que encontrar filmes fotográficos nem era tão difícil assim (tinha, inclusive, opção de marca, quantidade de poses e asa) e que a revelação era menos complexa ainda, com a possibilidade de já vir tudo digitalizado. A sensação de esperar o filme ser revelado, ter a surpresa de ver como ficaram as fotos e inclusive ver a cara dos amigos ao ver a câmera (‘o que é isso, é de brinquedo?’) foi tão boa que me convenceu que flertar novamente com o analógico tem sua magia.

O álbum Contra foi lançado também em LP

A ironia é que, apesar de todas as previsões tecnológicas terem extinguido qualquer espécie de analógico no triunfo digital, aparentemente não sou só eu que ando flertando com ele.  Pouco a pouco, consumir analógico não significa vintage e não é  mais preciso se embrenhar em mercado de pulgas ou em um brechó qualquer. Muitas bandas ‘atuais’ (a maioria indie, ou que já foi indie) ao lançarem um álbum oferecem o mesmo na versão LP. Sem falar na própria Lomography e sua vasta gama de câmeras fotográficas, todas analógicas. O modelo pode ser vintage, mas a produção é contemporânea, o produto é novo e a tecnologia… analógica. Nessa onda já tem até grupo saudosista requisitando o revival da VHS (que acho de duvidosa qualidade, mas). Minha pessoal esperança é que a Polaroid volte…

Oscilando entre digital e analógico, é possível viver em um mundo em que uma coisa não exclua a outra. Como prova tá aí, o relógio de ponteiros, que mesmo com toda a revolução nunca saiu de moda (e de uso).
Saímos fora do ar por um bom período. Não listarei motivos, porque não faz sentido ficar se desculpando com ‘desculpas-lugar-comum-de-uma-vida-contemporânea’. Prefiro chamar este período de retiro da vida digital, ao menos relacionado ao blog.
Bem, tudo pra dizer que voltamos! E tipo, renovado (dá pra ver que tem uma espécie de cara nova, não?).

 

Há algum tempo atrás vi Home, um filme/projeto constituido de imagens aéreas do planeta Terra e que aborda a mais “nova” constante preocupação humana que é a “preservação do meio ambiente”. Acompanhando a saga de Al Gore, o filme, produzido e dirigido por franceses e financiado pela gigante PPR, teve um super lançamento no dia internacional do meio ambiente (5 de junho), com veiculação (viral) via You Tube entre outras tantas ações midiáticas. Sim, acho que eles tinham o objetivo de alcançar o maior numero de pessoas, com o intuito de dizer “ei você, sabia que estamos destruindo o planeta de forma quase industrial?”. Ok, válido, assim como muitas outras ações de debate e conscientização são válidas, mas esse papo de “você já sabe o que tem que fazer para mudar essa situação”, honestamente, me deixa um pouco furiosa.

O problema é do sistema, no qual, é claro, estamos incluidos, mas acho que o buraco é um pouco mais além de reciclarmos, usarmos sacolas de pano e consumirmos consciente. Papo que álias, também me irrita profundamente. Normalmente, o consuma consciente requer tempo e dinheiro. Tipo, produtos orgânicos, locais, fair trade custam mais caro, e ter uma horta em casa também não me soa algo muito prático… Ter uma casa com energia renovável custa (e muito) e consumir menos plástico e viver em harmonia com a natureza requer alguns pequenos sacrifícios que não são fáceis de serem administrados, seja em uma grande ou pequena cidade. O eco é trend, bacana e consciente, mas mais me parece uma mera ilusão absorvida pelo mercado pra fazer tudo custar mais caro. Será mesmo que o tiozinho da foto do café Fair Trade recebe algum centavo a mais que o outro que não tem Fair Trade? Será que o Tetra Pak do meu leite é de fato reciclável? Será que toda essa madeira da IKEA é de fato de “reflorestamento”, ou são daqueles pinos que estão destruindo a mata nativa do RS (só pra citar UM exemplo)?

A dúvida que fica é, estou mesmo fazendo a minha parte (e pagando caro por ela) ou estou sendo engambelada pelo mercado que finge que me dá a “possibilidade de fazer a minha parte”? Tudo se resolve com consumo mais consciente. E se fosse menos consumo, menos produção, menos necessidade de matéria prima? Além disso, tem muitas outras coisas que fogem da “nossa parte” (e eu diria a maior parte delas) e cabem ao Sr. Mercado e a Governos, e sinceramente não vejo grandes companhias, seja do que for, e governos, de onde for, de fato tomando decisões e ações efetivas sobre o assunto (vide G8, G20, G qualquer coisa).

E então? Fica meio que aquele papo do universo das drogas. Aquela coisa de culpar o usuário pela desgraça do tráfico, sendo que muito desses usuários, acredito, prefeririam comprar em outro lugar, pagando imposto para o governo e não tendo que negociar com traficante. Todo mundo sabe que isso é a penas a ponta do iceberg. Então não me venha com esse papo de eu ser responsável pela desgraça climática. Faço minha parte, mas não tenho o super poder nas mãos.

Seguríssima e quase complexa tomada britânica   

Seguríssima e quase complexa tomada britânica

Quando se pensa em dar uma volta ao mundo é claro que a última preocupação do cidadão é: será que o plug do meu laptop vai encaixar em qualquer tomada de qualquer lugar do mundo? Pois, deveria pensar, porque nem precisa ir muito longe pra se deparar com tal problema.

Depois de morar em 3 lugares diferentes, pude constatar que nem todos os buracos de tomadas são iguais. Como consequência tenho 3 tipos de plugs nos aparelhos eletrônicos que permeiam meus pertences. E pior, para cada um tenho um adaptador, e pior, a cada ida para algum lugar tenho que levar uma certa parafernália que, além dos cabos (o mundos seria muito melhor sem cabos), conta com malditos adaptadores. Que é claro, se perdem, estragam, e certas vezes chegam a não adaptar nada…

Pensando nisso, decidi me preparar para não ser mais pega de surpresa e aqui exponho uma informação de utilidade pública (não lembra regiões de DVD, só que pior?). Assim, ao menos se pode deduzir com quantas tomadas se faz uma volta ao mundo, caso você esteja pensando em fazer uma. 


Agora ninguém é pego de surpresa

Melhor solução gráfica!

 

Mas será que não dava pra ser globalizado nisso também? Será que não dava para ser mais “genérico”? Porque ora, isso não é assim como cultura, língua, comida, clima, geografia, dinheiro… É só plug, só tomada… Ou não? Ou tem uma explicação linguística, tipo uma razão semiótica sobre a diferente percepção do sentido de “encaixe” representada nos diferentes tipos de plugs e tomadas?

Igual, para os mais práticos já inventaram um adaptador global. Mas só funciona com um plug por vez (nunca ouviram falar de T), é meio que um trambolho e custa caro. Não sei porque (!) , mas me soa muito como um “produto” Polishop (ou o antigo 011. 1406), que corta, rala, faz café, cuida de bebês e limpa, mas na verdade nunca funciona muito bem. Ainda fico com meus lamentos (e minha caixinha de adaptadores extras).


 

Piu

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